terça-feira, 6 de novembro de 2012

Diversidades da dança.


Durante o terceiro ano da Faculdade de Artes, existe um estagio que se direciona a comunidade, então escolhi o Instituto Paranaense dos Cegos (IPC), junto com o projeto Ver com nas Mãos do Criança Esperança 2012, para realizar esse estágio. 

O projeto tem parceria com a Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Com o intuito de incluir e aumentar o acesso das pessoas com deficiência visual a um universo de referências artísticas e culturais fundamentais para sua interação com o mundo. 
 Destinado a crianças e adolescentes cegos ou com baixa visão em idade de escolaridade. 
Tem como objetivos:

- contribuir para a construção de referências culturais permitindo que os alunos possam se expressar através de diferentes linguagens artísticas, como: Artes Plásticas, Música, Dança e Teatro. 

- capacitar  profissionais para trabalhar na inclusão das pessoas deficientes visuais no mundo da Arte, com a realização de oficinas, cursos e seminários.

- criar oportunidades e espaços inclusivos, possibilitando a vivência e o compartilhamento de informações e códigos de sociabilidade entre crianças e adolescentes cegos e videntes."

Retirado da página do projeto no Facebook:
 http://www.facebook.com/ProjetoVerComAsMaos?fref=ts

A principio um desafio enorme, porém ao fim uma satisfação imensa, ao ver aqueles pequeninos fazendo nossa aula com tanto querer, alegria. Aquela alegria que contagia, não da mais vontade de sair.
Sair e saber que nós artistas da dança podemos contribuir com o crescimento cultural, corporal das diversas pessoas, em qualquer situação. Todos são capazes.
Lindo de ver como nosso corpo cria saídas para de adaptar ao meio, e a aceitação desse corpo e dos caminhos que ele cria. Como os outros sentidos de quem não tem a visão são aguçados, por isso se faz mais que necessário trabalhar a questão do movimento, corpo -espaço quando ainda se é criança,quando estão descobrindo o mundo em que vivem.
A visão acontece pela interação dos neurônios da retina com a luz que vem do exterior. Se, por uma razão qualquer, a criança não for submetida a esse estímulo luminoso desde os primeiros meses da vida, poderá crescer sem nunca ter enxergado.
  
Maria Aparecida Haddad - médica oftalmologista,trabalha no Laramara, instituição que presta apoio aos deficientes visuais.
"Primeiro, é preciso considerar que 80% das informações a respeito do mundo e do meio ambiente nos chegam pela visão, que tem também o poder de organizar as informações que os outros sentidos fornecem. Quando ouço um barulho e olho para o lugar de onde ele vem, sei se um livro caiu da estante ou se um carro bateu em outro, por exemplo.
Na criança com cegueira congênita, esse processo é seriamente prejudicado. Ao contrário do que se pensa, ela não tem o uso coordenado dos outros sentidos. Na verdade, não possui os outros sentidos desenvolvidos para operacionalizar as informações recebidas de forma a suprir a falta de visão. Portanto, precisa ser acompanhada e orientada para o uso organizado das informações sensoriais que chegam até ela."
 A criança que enxerga aprende a maioria das coisas por imitação. Copiando o que as outras pessoas fazem, formula conceitos os automatiza. A criança cega precisa ser apresentada ao ambiente, as coisas, ensinado a ela a usar as vias sensoriais íntegras. Já que não tem essa possibilidade de apreensão


Uns dos questionamentos que surgiram durante as observações seriam como passar para as crianças "signos", formas de se mover da dança, com a ausência de representação visual, pois no ambiente da dança, o olhar para o outro é muito significativo. Mas aprendemos e fizemos descobertas que a percepção do todo e do outro através de outros sentidos também é muito rica. Claro que esse entendimento para eles como alunos faz parte de um longo processo de treinamento.


A criança vai conhecer os objetos por meio do tato, do som, da finalidade ou função que têm. Ao apresentar-lhe uma bola, por exemplo, é preciso fazer com que a explore e perceba as alterações de contorno e de textura. A partir das informações sensoriais a imagem e a função se forma no cérebro e começa a ser formado os conceitos.
O nosso questionamento por fim  para eles durante as aulas foi Como seria possível através dos sons reproduzirem o que sente no corpo, respeitando e explorando o espaço e a criatividade. Onde foi atingindo com grande satisfação, surgindo a curiosidade de continuar o processo, para saber como esses corpos se adaptariam. 
Cada vez mais vemos como a arte sensibiliza as pessoas para outros conhecimentos. Conhecimento da própria vida.

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